Discurso de posse na Academia de Letras de Ji-Paraná/RO.

Boa noite,


AAAAAA Se hoje fosse pintar um quadro, pintaria uma cidade em festa, com cores vivas, com gente das mais variadas regiões do país, em grande confraternização, não teria nenhum rosto triste, toda expressão seria alegre, sorriso no rosto, expressando a vitória de Ji-Paraná com a inauguração da nossa gloriosa academia.
Esse quadro expressaria o meu sentimento nesse momento, que é de pura alegria e satisfação. Ser membro da Academia é um dos maiores reconhecimento de minha arte e de minha vida.
AAAAAAEstou em Ji-Paraná desde 1972, participei do crescimento de nossa cidade como professora, bibliotecária, como artista plástica e principalmente como cidadã, foi aqui que pintei a maioria de meus quadros, inspirados na prosa dos pioneiros, nas experiências que vivemos coletivamente e na harmonia da natureza que nos rodeia.
AAAAAAEntendo que pela arte se conta a história dos povos. Passo para as telas uma parte da realidade de Rondônia e da Amazônia. Assim pintei o seringueiro, o índio, a mata, os rios, nossas crianças, nossos animais, nossas flores, nossos mitos e etc. boa parte de nossa rica história ainda está pra ser contada, através de livros, peças de teatro, poesias, novos quadros... e nesse contexto está um dos principais papeis de nossa Academia, que é ajudar no desenvolvimento cultural de nossa Cidade e de nosso Estado.
AAAAAAEssa união das letras com as artes plásticas e demais artes é muito avançada e Ji-Paraná só tem a ganhar com isso.
AAAAAAEm outro momento histórico, há mais de oitenta anos, a pintora Tarsila do Amaral, junto com escritores, músicos, pintores, escultores se uniram para modernizar nossas artes, rompendo com a tradição da época de admirar só o que vem de fora do país, buscaram valorizar o nacional, o caipira, as pequenas, simples e belas coisas brasileiras.
AAAAAAQuero nesta oportunidade, homenagear esta grande pintora brasileira: Tarsila do Amaral, uma mulher que soube mostrar as coisas simples de seu país, com arte e beleza. Chamando atenção para a riqueza de nossa terra e de nossos costumes.
AAAAAATarsila pintou o garimpeiro, o mamoeiro, a negra, a fazenda, o vendedor de frutas, a cuca, as flores, o sol poente, os operários, a favela, a família, a feira, o pescador e etc...
AAAAAAEssa união entre escritores e artistas plásticos sustentarão nossa Academia, com o objetivo de fortalecer o movimento cultural em Ji-Paraná. Através dos mais variados e criativos livros e quadros contaremos nossa história, fruto desse esforço coletivo de imigrantes, mostraremos nossos mais misturados costumes e principalmente nossos sonhos. Deixaremos uma tradição cultural de qualidade para as gerações dos futuros Ji-Paranaenses. Saberão que essa cidade tem história e uma tradição cultural própria.
AAAAAAAssim como Tarsila do Amaral soube, junto com outras artistas de sua época, resgatar o que o Brasil tem de melhor, saberemos resgatar o que Ji-Paraná, Rondônia e a Amazônia tem de melhor. Temos certeza que nossa academia é a maior expressão da maturidade cultural de nossos artistas e escritores e a maior garantia de vitória na realização de nosso sonho coletivo.

Muito Obrigada

ADÉLIA BEZERRA COSTA