JI-PARANÁ, A CIDADE DO CORAÇÃO.


Nossos primeiros habitantes foram os índios das tribos dos Jarus e Urupá, povos que viviam e se alimentavam da mata, que buscavam levar suas vidas com os recursos da natureza. Dessa origem indígena vem o nome de nossa cidade: JI= Machado – pedras que lembravam machadinhas indígenas - e PARANÁ = Rio Grande. Os indígenas só não sabiam como lidar com os “brancos”, que possuíam culturas diferentes e em muitos momentos se confrontaram. Os “brancos” levaram a melhor, pois tinham armas mais poderosas e, principalmente, porque os “brancos” já tinham uma cultura de guerra. Inclusive guerra mundial.

Os nordestinos que vieram para nossa região se alistaram em um “projeto” do Governo Getúlio Vargas, financiado pelo governo americano, que tinha como presidente Franklin Delano Roosevelt, cujo objetivo era abastecer o mercado norte americano com a borracha dos seringais da Amazônia. Borracha essa essencial para a vitória dos americanos na Guerra Mundial.

Nesse momento histórico e de necessidade de explorar a borracha, foi que recebemos nossa primeira leva de migrantes, na sua maioria corajosos nordestinos que se recusaram a engaja-se nas fileiras do banditismo, do cangaço e da guerra, preferindo enfrentar os desafios da selva feroz.

Esses bravos pioneiros, que muito sofreram nos seringais, pegaram muitas malárias (impaludismo) e outras doenças, viveram em condições subumanas, explorados pelos donos dos seringais - a balança roubava na venda da mercadoria e na pesagem da borracha. Os preços dos gêneros de primeira necessidade eram “os olhos da cara”, deixando os seringueiros sempre endividados. Mesmo assim, resistiram ao sofrimento sem fim, criaram seus filhos e a maioria deles permaneceram morando em nossa região, em nossa cidade.

Outro surto significativo de migrantes que elevou muito a população de Vila de Rondônia, a partir da década de 50, foi a chegada dos garimpeiros que vieram pra cá atraídos pela notícia de que o rio Ji-Paraná tinha muito diamante. Mesmo não encontrando tanto diamantes, foram ficando na região e dando uma dinâmica de crescimento diferente a vila. Bairros foram criados para abrigar os recém chegados, com ruas abertas a foice e facão e com toda dificuldade que se possa imaginar.
Um dos fatores que tornava a vida na Vila mais difícil era o isolamento. A movimentação de pessoas e mercadorias se dava pelo rio - dificultada pelas cachoeiras - ou a pé, o que só aumentava o sofrimento do povo. Depois dos representantes dos moradores muito tentarem tirar a região do isolamento, o Presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira se convenceu e, mesmo contra a vontade seus assessores, determinou a abertura da BR 029, atual 364.

Com a BR, aberta no rastro das picadas da rede de telégrafo erguida por Marechal Rondon, abriu-se nova fase no ciclo de desenvolvimento de nossa região. Chegaram os colonos do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e de outras cidades de nosso país, em busca de um pedaço de terra e de oportunidades de uma vida melhor. A BR facilitou muito, comparado com o passado, o acesso a nossa região, mas o sofrimento continuava. Em períodos de chuvas, a BR virava uma seqüência de atoleiros e a viagem das famílias em ônibus, caminhão, pau-de-arara era retardada em semanas e semanas. Após a chegada, nem todos encontravam terras, outras ganhavam um terreno na cidade e ia ficando, na esperança de dias melhores.

Com a vinda dos colonos, os costumes foram se misturando. Uns foram aprendendo com os outros, absorvendo os costumes de outras regiões, principalmente os mais jovens, ou simplesmente respeitando as diferenças. Ji-Paraná é fruto dessa mistura entre índios, seringueiros, garimpeiros e colonos das mais variadas regiões desse país.

Somos o que somos graças ao braço forte, à persistência e à esperança dos pioneiros, que por amor a cidade lutaram muito para trazer energia elétrica, construir pontes, colégios públicos, hospitais, para abrir bairros, melhorar as casas etc.

Acreditamos que a cidade tem muito a crescer, do comércio às artes - nessa área um dos marcos foi a criação da Academia de Letras de Ji-Paraná em 2005. Temos certeza de que inspirados nos exemplos dos pioneiros, não poderemos ficar de braços cruzados esperando as coisas acontecerem. O signo de nossa cidade sempre foi a luta de seus moradores e pelo visto continuará sendo, cada qual em sua área dando a dinâmica do crescimento de Ji-Paraná, a cidade que abriga a todos.